Enquanto experimentava uma bela sopa e curtia um friozinho que não deve estar acima de 10ºC, refletia sobre o livro que acabara de ler. Tive uma grande dificuldade em me concentrar no novo cenário e me envolver nesta história.
Para quem acabou de sair de um mundo de vampiros-bruxos (Night of House), é complexo adentrar a parte oriental do mundo, com samurais e todo o aparato cultural da época que contextualiza a história de Musashi, o herói japonês. É quase doloroso, pois requer abandono do mundo anterior, aquele que já havia produzido personagens ao meu redor e ganhado vida em alguma dimensão mental.

Peço o perdão dos fãs para o próximo comentário e deixo uma explicação prévia para que não haja sentimento de menosprezo ou outro similar. É que no caso de visualizações de um personagem, a primeira imagem vista (por desenho, filme, mangá) ou criada (que a mente compõe a partir da descrição do autor), tem o poder de grudar na mente feito chiclete no cabelo, que só sai com a perda de alguns fios. Assim é que, por exemplo: ao ler um livro postumamente ao filme correspondente, um personagem ganha a cara que a produção do filme escolheu. Tal é que, para ilustrar, cito o Gandalf: por mais que eu leia o livro, sempre será o Ian McKellen vestido de mago. Também é o caso de assistir Jaspion: o Carlos Takeshi tem de estar dublando!
Voltando então aos fãs, entendam o que se segue.
A primeira imagem que tomou conta do novo contexto ao pegar o livro Musashi está relacionada a uma parte da série Heroes, em que o personagem Hiro volta no tempo e se encontra com Musashi. Este, ao contrário do que poderia estar em todos os mangás e livros, era meramente um… ocidental… loiro.

Imaginem: a todo momento, nas ocasiões românticas, filosóficas, descritivas de estado de espírito, em luta… A cada momento estava lá, formada na minha mente, um bushi loiro! E a capa? Olhar a bela ilustração que acompanha o título da publicação de 1999 e entrar em conflito com a imagem mental… O autor, Eiji Yoshikawa, deve ter passado calafrios a cada passo de um Musashi loiro! Se você é bem humorado, junte-se a mim e fiquemos aos risos, pois é o que nos resta no momento.
Concluí as 920pg que compõem o primeiro volume nos últimos 17 dias, e hoje, quando finalizei a última página, dei conta de que parece uma história simples e que seria impossível escrevê-la em tantas páginas assim. Se isso fosse verdade, porém, eu também teria chegado à conclusão de que a história é tediosa. O caso é que não há tédio algum em ler e, por conseqüência, a saga é contada de forma a acompanhar o crescimento espiritual e o desenvolvimento de Musashi com a espada.
A técnica de Musashi parece basear-se na reflexão cotidiana, daquilo que passa despercebido a muitos, na contemplação do mundo… Muito mais que o treino motor, que a repetição de gestos para alcançar um padrão perfeito de luta.
Bem, isso no primeiro volume. O segundo volume, esse eu começo a dedilhar amanhã…


Ainda nao terminei Night of House!! Adorei dimensão mental!!
Ps. Primeiro volume com 900 e tantas paginas?? aff